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Por descaso, vamos perdendo o Rádio como meio de trabalho e o Radiojornalismo como serviço

O Rádio – um dos mais eficientes meios de comunicação – sempre foi celeiro de excelentes profissionais de imprensa quer pela sua natureza rápida de transmissão da notícia e da informação, quer pela necessidade de produção de textos rápidos, enxutos e abrangentes.

 

Foram muitos os profissionais jornalistas formados pelo Rádio e que lá encontraram o veículo ideal para transmitir e externar seus conhecimentos e formar opiniões de uma grande massa de ouvintes. Por sinal, muito maior sempre que as de leitores da imprensa escrita.

Entretanto o Rádio – por total descaso de autoridades (na maioria das vezes corruptas e comprometidas com grupos políticos/empresarias sem qualquer tipo de compromisso com a informação, autoridades essas que deveriam fiscalizar esse importantíssimo meio de comunicação social) foi sendo dominado por empresários inescrupulosos sempre ligados a altos funcionários entranhados na máquina governamental. Em consequência, foi sendo objeto de absoluta deterioração, o que ocorre sem interrupção há mais de três décadas.

A partir do momento em que o controle societário das emissoras passou a ser exercido (com a conivência das autoridades de fiscalização) por grupos de empresários ou políticos gananciosos, sem qualquer escrúpulo ou compromisso com a qualidade de informação, gente somente capaz de visualizar o lucro fácil através da cessão e arrendamento de horários a grupos religiosos (que nunca respeitaram sequer os horários mínimos estipulados em lei para transmissão de noticiário etc. etc.) o jornalismo radiofônico foi se extinguindo...

Pior! Tais grupos (sempre através do poder financeiro e político) bloquearam totalmente a livre iniciativa principalmente no Rádio. Nunca foi e nem é permitido até hoje ao cidadão empreendedor (a exemplo da Europa e EEUU) criar e dirigir sua emissora radiofônica (e o mesmo ocorre com a televisão!) sem AUTORIZAÇÃO E CONCESSÃO GOVERNAMENTAL E POLITICA!

Restaram poucas emissoras para produzir e gerar uma programação verdadeiramente radiofônica. Uma delas era a emissora do Grupo Estado – antiga Rádio Eldorado e agora Rádio Estadão – que há muito tempo vem capengando. Uma das últimas tentativas se deu por meio da parceria com a ESPN, que passou a comandar a programação durante 24 horas, tentando fazer daquela uma emissora voltada ao Esporte.

A parceria não obteve os resultados financeiros desejados pelos proprietários da Emissora que não conseguiram mais sustentar equipe própria.

Lamentável verificar que um baluarte do jornalismo radiofônico caminhe para ser apenas mais uma marca no dial, transmitindo programação propagandística religiosa. Praga que se alastra em todo o Brasil, principalmente no interior onde até as emissoras comunitárias são locadas e arrendadas pelos grupos religiosos.

É uma pena, colegas, constatar que o Rádio que nos acompanhava nos lares, nas ruas, nas estradas, nos sítios e nos mais longínquos rincões do país (onde não se engane pela propaganda fantasiosa: não existe internet!) vai-se extinguindo como suas antigas válvulas de transmissão que foram se apagando ao longo do tempo. Mais triste ainda é ver que tal situação sequer é mencionada aos mais jovens nos cursos de jornalismo. Para os mais velhos ficam apenas as saudades...

Lógico que esse fato (a extinção do radiojornalismo) intrinsecamente não tem muito a ver com a formação de nosso Conselho profissional. Mas não nos enganemos: esse campo deveria ter sido muito mais valorizado pelos profissionais de jornalismo.

O Rádio talvez tenha sido a maior e melhor escola prática de jornalismo do País. E, assim, vamos perdendo nosso campo de trabalho! Até de certa maneira devido ao incentivo inconsequente de inexperientes profissionais de marketing, propaganda e jornalismo que, nas agências de publicidade, assessorias promocionais e de imprensa, ávidos por modernidades e influenciados por uma nem sempre verdadeira projeção de resultados publicitários, deixaram de ver o Rádio como meio de divulgação eficiente para os produtos de seus clientes.

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